30 de septiembre de 2012

memorias de una Licantropa

Tú eres mi luna, también la de hoy, la de esta noche, la que salió a caminar  por algunos metros sobre el nivel del mar de esta Provincia perdida en la costumbre, para recordarme los espejos en los que nos hemos visto, aires en los que nos hemos contraído, gozo de nuestras andanzas, las que nos han endulzado la agonía de otra desolación, de otro destierro, de otro exilio

Tú eres mi luna, veneno de Licantropia que ha venido a recordarme la primera y última vez que nos vimos a la cara

Tú eres mi luna plena, elixir del Golfo Pérsico, que como allí no te he vuelto a ver jamás, aunque eras tú aquella vez que nos cruzamos en Egipto, navegantes del Rio Nilo y camina desiertos de Sudán,  aunque eras tú la de aquel desierto de Samalayuca en una llenura de octubre, aunque eras tú la que cubrías con tu luz las orillas del Pacífico de San Blas

Aunque eras tú, aunque has sido siempre tú la que se deja contemplar, sólo una noche me haz mirado, sólo aquella de Febrero, sólo allí, sólo bajo ese cielo y cantándome en árabe. Ningún otro día, en ningun otro lugar, sólo allí me has visto a los ojos y sólo allí los quiero recordar.

27 de septiembre de 2012

pio pio

y según oscar wilde en el arte no hay primera persona/
pero maiacowsky y vallejo hablaron en primera persona/
tenían el yo lleno de gente/ y walt whitman también/
recuerdo cuando pasó por un paumanok juntando gorriones
con la barba/

(Juan Gelman) 










23 de septiembre de 2012

Fotos y más fotos

Ultimamente me estoy esforzando por convertirme en una fotógrafa decente, vaya que si me gusta tomar fotos por lo menos me esfuerzo porque no sobrevivan sólo de filtros ;)









20 de septiembre de 2012

notas para leer a Pessoa:

Léase Tabacaria con cigarro en mano.
      TABACARIA
    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.
    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    FERNANDO PESSOA 




jamu nindi

Necesito tierras distintas bajo mis suelas... No soporto esta tranquilidad acongojante, llévame por ahí, ánda, llévame.

Magiabundeando @ N.O.I. Festival

 Convento dei Minimi (Roccella Jonica, RC, Italia) 











un día de septiembre por algún lugar del sur





19 de septiembre de 2012

Mi mamá


Del Diario de una lengua atorada


Martes  22 de marzo


La primavera se fue el año pasado y prometió que volvería, oficialmente ayer debería de haberlo hecho, pero yo siento mucho frío, mucho, tanto que le he pedido a Z que encienda el fuego, que cierre las puertas, las ventanas, que cerremos los ojos, los oídos, y hagamos de esta casa un mundo-capullo, porque la señora primavera prometió volver, pero ya tiene un día de retraso.

Un día descubrí que las flores también podían rodearme, masajear cada pequeño nervio que me compone y estimularlo con los aromas que sólo yo puedo percibir, dejar sus pétalos como ofrendas en el altar en el que me convierto, sí, las flores tienen un buen sabor, sobre todo las flores de calabaza

Las flores también están dentro de sus casas, esperanzadas pero recluidas  dentro de sí mismas, no se han abierto aún, todavía no nos dejan admirar la belleza de sus corolas, pero yo las entiendo, es porque esperan a la primavera, que ayer, día 21, debería de haber ¨checado tarjeta¨ en el reloj de las estaciones, pero quizá este año vuelva un poco más tarde de lo prometido, a lo mejor está confundida como yo y no sabe a dónde llegar, quizá no sabe cuál es su tierra.


el caballero Sancho en su trono


5 de septiembre de 2012

cotidianos mágicos de una Muchacha Corazón de Tiza la media noche de su cumpleaños

Éste es el número 27 de una serie de septiembres, que como siempre, desde que escribo en esta bola de cristal, a la que pueden acceder todos  los que saben que son, que han sido y continurán siendo, quienes me tienen un año más para ustedes, bañada por la brisa marina de éste lado del Atlántico, sonriente, con los sumados y a pesar de los restados, con lo multiplicado por la distancia: les dejo mis cotidianos mágicos, mis pequeños gozos, el hedonismo en el que me abandono; conciente que soy un alma y tengo un cuerpo, aunque hoy a estas horas, bajo esta luna y en esta casita de piedra les escribo desde ambos:

  • Los amaneceres en el tren, las idas y vueltas, las dos horas de camino con el mar que me acompaña siempre a la izquierda de la ventana, contándome historias de casitas y mareas que se han amado desde siglos.
  • La sonrisas honestas y profundas de cada extranjero que cruzo, nos reconocemos, sabemos que nos unen las mismas cicatrices, las mismas dudas, que aquí somos iguales a pesar de nuestro color de piel, de nuestro acento y  de nuestra lengua, aquí todo lo que nos separaría en otro lugar del mundo nos termina uniendo
  • Despertarme con el olor a café del hombre que duerme en mi cama
  • Mis pies descalzos cuando se unden en la arena. 
  • El sol que me acaricia suavecito  después de las 5 de la tarde, ya no le tengo miedo, ya lo voy disfrutando, ya me voy dando cuenta que no es tan malo. 
  • La constelación que forman los barcos en el mar cuando les apagan la luna
  • Las montañas que vigilan a todos los habitantes de ésta costa, son guardianes que me recuerdan  nunca nadie ha estado solo. 
  • Tener un día de mierda, pero al final, ver la luz de la luna que baila con la piel del mar una canción de Pedro Aznar, que me susurra: "todavía vale la pena seguir  viviendo aquí" 
  • Darme cuenta que no es verdad aquello de que para ser feliz uno tiene que hacer "siempre lo que uno quiere", vaya, que nos han hecho vivir engañados, que nos han contado  una serie de chorradas para hacernos vivir infelices en busca de una cosa que ni los que nos dijeron que lo teniamos que buscar han encontrado.
  • Amar la tierra que me alimenta hoy; el agua que hoy me recorre, y el sol que me calienta, no importa que no sea el mismo de ayer: Así, puedo despertar en los brazos de África, de América o de Europa y amarlas como a mis nodrizas, dejándome amamantar por cada una de ellas.
  • Amar la gente que me sonrie y la que me voltea la cara, amar a los que me huyen y a los que me buscan, amarlos porque estoy aquí: ahora, porque nos alimenta el mismo oxigeno y porque nos alienta el mismo deseo.
  • Disfrutar el primer gato de mi vida
  • Disfrutar al que espero que sea el último perro de mi vida
  • Reecontrarme en los ojos de mi madre después de habérmele perdido. 
  • Soñar despierta, salir volando por cualquier ventana, huir de los edificios fisos y buscar aquellos en movimiento.
  • El silencio de mi hogar, mi alma sosegada a los pies de un carpintero
  • La poca gente que me queda del otro lado del océano
  • La buena música 
  • Las conversaciones con Marisú: parece que fue ayer cuando me dejaste en el aeropuerto y nos abrazamos llorosas, no ha pasado el tiempo, no es el 2012, sigue siendo el 27 de septiembre del 2010 y tú  y yo seguimos siendo las mismas, hasta que volvamos a vernos, el reloj de nuestra amistad continuará detenido. 
  • Mi homonima favorita, ni los errores, ni la distancia pueden separar a la gente que se ama de verdad 
  • Lo que daría yo por abrazar a mi "guera" No importa que pase el tiempo, hay gente que llega en tu vida para formar parte de ella  y siempre permanecerá allí
  • No poder evitar pensar en ti cada vez que me topo con un buen Ciró. Nuestros millones de risas y conversaciones, la hermandad, saber que estas allí siempre que te necesito, no importa cuántos años tenga ni en que parte del mundo me encuentre: Hazel
  • Los 10 maravillosos pajaritos que Dios nos prestó éste año a Paolo y a mí, cuánto han sido importantes para mí, cuánto me han enseñado!, cuánto me han dado! empiezan a extender sus alitas y yo los veo revolotear llena de gozo! 
  • Los buenos amigos, los buenos libros, el buen vino, el chocolate, los viajes de cualquier tipo, los momentos creativos, hacer el amor, el buen invierno y el buen verano. 
  • Crear, amar al creador más que a lo creado  y disfrutar de convertirme por algunos instantes en un gusanito creativo de vez en cuando. 
  • El amor que me rodea, que me abraza, que me posee; me entra por los poros y se me sale por la punta de los dedos, por eso no hablo tanto de él, no necesito invocarlo porque lo siento por todos lados. 
  • La arena de cualquier desierto y el agua de cualquier mar
  • Todos los cierlos del mundo
  • Una casita llena de colores, con un hombre, un perro y un gato
  • Darme cuenta de cuánto hemos crecido estos dos años, del gigante en el que te estás convirtiendo y de la armonía que día con día  se ha creado,  de lo maravilloso que es tener con quien compartir cada día de mi vida y satisfacer mi curiosidad a tu lado. No se ofenda nadie pero tú: Paolo, eres mi cotidiano más mágico.